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  1. PDG/Goldfarb ataca MP e desiste de novos lançamentos


    Presidente da construtora diz que oito áreas que receberiam empreendimentos foram colocadas à venda em Campinas

    23/05/2012 - 22h20 . Atualizada em 24/05/2012 - 06h21
    Fábio Gallacci    
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    A direção da construtora PDG/Goldfarb publica hoje em alguns veículos de comunicação de Campinas uma carta aberta à população em que faz diversas críticas ao comportamento do Ministério Público (MP) para a retomada das obras embargadas de diversos empreendimentos da empresa na cidade, principalmente no bairro Parque Jambeiro. São cerca de 2 mil unidades já comercializadas que aguardam conclusão. Em entrevista ao Correio, o diretor de incorporação do grupo, Paulo Petrin, afirma que não pensa mais em investir na cidade e que oito áreas que receberiam futuros empreendimentos já foram colocadas à venda. Na região do Ouro Verde, a empresa promete devolver o dinheiro das 360 famílias compradoras de um empreendimento embargado há quase um ano.

    “No restante da cidade, nosso objetivo é terminar as obras, entregar as chaves às famílias e encerrar esse ciclo. Sempre fui muito otimista, mas as indefinições políticas e a insegurança jurídica vistas em Campinas não nos permitem continuar. Nossa vontade de investir é zero. Estamos aqui desde 2006, passamos a ser líderes de mercado e já entregamos 12 mil unidades habitacionais, mas agora não vejo luz no fim do túnel”, afirma Petrin. “Enquanto isso, continuamos investindo em várias cidades do Brasil e também aqui na região, em Sumaré e Paulínia, por exemplo”, acrescenta.

    Desde outubro do ano passado, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado entre a empresa e a Prefeitura para que os trabalhos fossem reiniciados, mas tudo ainda precisa de uma aprovação dos promotores, que até agora não veio. Petrin afirma que, entre os últimos dias 25 de dezembro e 1o. de janeiro, o promotor de Urbanismo de Campinas, Valcir Kobori, apresentou aos integrantes da empresa um novo TAC, com diversos itens que não constavam no primeiro documento assinado com o governo municipal e que, na concepção da PDG/Goldfarb, eram inviáveis. Outro encontro aconteceu em fevereiro e a proposta do promotor foi a mesma.

    “O Ministério Público exige, por exemplo, que os empreendimentos do Recanto do Parque (Gold China) sejam reduzidos em um terço e que o empreendimento Parque das Folhas (Gold Leucada) seja integralmente cancelado, à semelhança do ocorrido com o Jardins do Horizonte 2 (Gold Espírito Santo), o que entendemos inaceitável. (…) O MP exige que alguns empreendimentos já vendidos, e cujos clientes aguardam as obras, sejam cancelados”, aponta o informe publicado. “Não pretendemos assinar o TAC do MP, só aceitamos o já acertado com a Prefeitura” reforça o diretor.

    Ainda segundo Petrin, o MP exigiu um aumento de R$ 10 milhões na contrapartida da PDG/Goldfarb para concordar com a liberação das obras na cidade. A empresa já havia acertado com a Prefeitura uma contrapartida no valor de R$ 14 milhões a serem investidos em obras de interesse social — praças, viário, creches — na região das obras. “Estamos falando em R$ 24 milhões. Os promotores querem que a empresa pague mais pela contrapartida e tenha seus empreendimentos reduzidos. Isso torna o projeto inviável. Já fiz cinco ou seis reuniões com o MP e tentamos um entendimento, mas eles sempre pedem mais e mais detalhes que ferem o bom senso”, argumenta o diretor. “Tão logo o MP analise e concorde com os termos já ajustados entre a Prefeitura e a PDG/Goldfarb, nossos clientes poderão ter a certeza de que suas casas e apartamentos serão entregues”, reforça o informe da empresa.

    Petrin informa que 70% das obras do Gold Espírito Santo estão prontas e que tudo já poderia ter sido entregue. Com a paralisação do trabalho ali, se a obra fosse retomada hoje, os compradores ainda teriam que esperar de seis a oito meses para pegar as chaves. No caso do Gold China, o MP pediu para que a empresa deixasse de construir 531 unidades das 1.827 previstas.

    Outra questão apontada por Petrin é o condomínio quase concluído na região do Ouro Verde, que está com 360 unidades embargadas desde agosto do ano passado por decisão exclusiva do governo municipal e do qual a empresa está desistindo. “A Prefeitura embargou a obra por causa de uma ocupação que existe há 20 anos e que está localizada na parte de trás do nosso terreno, e não resolve o assunto. Nossa obra é para famílias com renda de três a seis salários mínimos e todas as unidades já estão vendidas. Já tentamos todas formas de acordo, mas nada foi resolvido.”